A secularização da igreja

Há uma onda de secularização atingindo perigosamente a igreja. Em vez da igreja transtornar o mundo, é o mundo que tem entrado na igreja para transtorná-la e domesticá-la. Em vez […]

Há uma onda de secularização atingindo perigosamente a igreja. Em vez da igreja transtornar o mundo, é o mundo que tem entrado na igreja para transtorná-la e domesticá-la. Em vez da igreja ser um agente de transformação no mundo, ela tem sido um lugar de conformação com o mundo. Longe da igreja inconformar-se com o conformismo do mundo, ela tem se adaptado ao mundo e sido amiga do mundo, com medo da rejeição do mundo. É imperativo, porém, compreender que a amizade do mundo é pior do que a espada do mundo. Ser amigo do mundo é constituir-se em inimigo de Deus. Amar o mundo é andar na contramão do amor de Deus. Conformar-se com o mundo é ser condenado com ele.

A secularização é um processo de acomodação ao modo de pensar e agir do mundo. É deixar de se opor ao mundo para pensar como ele. É capitular-se à sua cosmovisão desprovida da verdade. É viver subjugado pela ditadura do relativismo moral. É cair na armadilha de copiar o mundo para tentar atrai-lo. Muitas igrejas já perderam o vigor espiritual porque enfiaram o pé na forma do mundo. Pensam e agem como ele. Preferem relativizar a verdade de Deus a confrontarem o mundo. Copiam suas festas, imitam sua moda, adotam suas músicas, aderem ao seu lazer e adotam sua filosofia de levar vantagem em tudo. Esquecem-se da palavra de Deus, amam as coisas e usam as pessoas para alcançar seu alvo supremo, a busca do prazer. Nessa faina, buscam o material mais do que o espiritual. Amam os prazeres mais do que a Deus. Ajuntam tesouros na terra e nenhuma riqueza no céu. Fazem investimentos apenas para esta vida e nenhum na vida por vir.

A igreja contemporânea tem perdido a autoridade para chamar o mundo ao arrependimento, pois ela mesma se recusa a arrepender-se. Os escândalos vistos no mundo estão presentes também na igreja. O índice de divórcio na igreja tem sido praticamente o mesmo praticado no mundo. A quantidade de pessoas na igreja que adota práticas heterodoxas em seus negócios é praticamente a mesma daqueles que lesam o próximo para se locupletarem. Chegou o tempo de nos conformarmos com os inconformismos de Deus para nos inconformarmos com o conformismo do mundo. Chegou o tempo de fecharmos as portas do nosso coração para as influências do mundo para não sermos tragados nem condenados com ele. Chegou a hora de sermos governados pelos preceitos da palavra de Deus e não pelo modismo do mundo, que jaz no maligno.

Uma igreja secularizada tem sua voz amordaçada, seus pés atados e suas mãos emperradas para a prática do bem. A igreja deve estar no mundo, mas o mundo não pode estar na igreja. A igreja foi tirada do mundo para voltar ao mundo como testemunha no mundo. A igreja influencia o mundo não buscando seu reconhecimento, mas exercendo nele sua voz profética. A igreja impacta o mundo não quando busca sua amizade, mas quando o confronta com a verdade. A igreja torna-se instrumento de transformação no mundo não quando imita o mundo, mas quando chama os pecadores ao arrependimento, apontando-lhes Jesus como o caminho da reconciliação com Deus.

O juízo começa pela casa de Deus. Primeiro a igreja se volta para Deus em arrependimento, depois ela conclama os homens a se voltarem para Deus. Primeiro ela dá um basta na secularização, depois ela se torna uma agência de evangelização. Primeiro, ela se agrada do Senhor, depois ela faz a obra do Senhor. Primeiro ela mostra sua alegria em Deus, depois ela chama o mundo a vir participar do banquete da graça de Deus.

Rev. Hernandes Dias Lopes