“Não nos cansemos de fazer o bem…”

Ontem em nossa igreja ocorreu o bazar de usados usáveis, promovido por nossa SAF. Para um observador distante e desatento o produto arrecadado e devidamente organizado por um pequeno grupo de incansáveis irmãs, não passa de um amontoado de tranqueiras velhas cheirando a mofo. Uma atividade plenamente dispensável e, portanto desprovida de relevância.
É comum aos mais abastados e amplamente supridos dos bens materiais a indiferença para com a necessidade e o sofrimento do próximo. Não faz parte do modus operandi do egoísta “chorar com os que choram”.
Socorrer ao necessitado e ao menos favorecido é uma forma de obediência ao sexto mandamento conforme nos ensina o Catecismo Maior na resposta à pergunta 135. Quando atentamos para as necessidades do nosso próximo certamente honramos ao Criador.
O bazar é uma demonstração de cuidado e misericórdia para com os menos favorecidos e oportuno Outdoor que nos lembra da existência daqueles que carecem de nossa resoluta ação. Nunca passou pela mente das organizadoras fazer do bazar uma oportunidade para que alguém pudesse se livrar das coisas velhas e inúteis que estavam jogadas em um canto úmido e escuro do “quartinho da bagunça”, antes, uma oportunidade para partilharmos um pouco do muito que temos recebido das dadivosas mãos do nosso Deus.
O apóstolo Paulo em sua Epístola aos Gálatas adverte aos destinatários que sejam diligentes na prática do bem, não permitindo que o cansaço os dominasse (Gl 6.9). O fato de alguém já ter experimentado a ingratidão ou indiferença de pessoas a quem outrora ajudou não deve servir de desanimo na prática do bem. O exercício da misericórdia que glorifica a Deus não busca gratidão ou reconhecimento público conforme ensinou Jesus: “Quando, pois, deres esmola, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita; para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” (Mt 6.2-4). Outra situação que pode causar desânimo é a comparação do grande número dos que necessitam de alívio de suas necessidades com o pequeno número dos que estão dispostos a colaborar. Também é possível arrefecer o ânimo imaginando que muito já foi realizado e chegou a hora de parar. Novamente o apóstolo apresenta uma palavra que exorta seus leitores ao exercício contínuo das boas obras: “Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé.” (Gl 6.10).
Comentando o texto acima o reformador francês João Calvino afirmou: “nem toda estação do ano é adequada para arar a terra e lançar a semente… Já que Deus separou toda a vida presente para esse propósito, aproveitemos ao máximo essa oportunidade para que ela não nos seja retirada devido à nossa negligência”.
Louvado seja Deus pela vida dos que organizaram e participaram das mais diversas formas de tão singela manifestação de amor cristão, que a iniciativa sirva de despertamento para muitos em nosso meio.

Rev. Jailto Lima do Nascimento

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