Vivendo diariamente pela fé

“Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gálatas 2.19,20).
O que dá sentido a vida? Para o apóstolo Paulo, e de forma especial no texto de Gálatas 2.19-20, o que dá verdadeiro sentido à vida é o “está crucificado com Cristo”. E talvez você esteja se perguntando, como uma situação de morte pode ser para alguém o verdadeiro sentido da vida? Para o apóstolo isso também é muito claro e podemos perceber ainda no texto. Nessa seção da Epístola o apóstolo inicia um dos temas mais importantes da narrativa bíblica, como a pessoa é salva. Como ensina nossos símbolos de fé, a salvação “é ato da livre graça de Deus”, por meio da fé (fé esta, dada também por Deus, cf. Ef 2.8,9). Não existindo ou sobrando nada para o homem realizar nesse processo. Afinal de contas, se tivesse o homem algum papel em todo esse processo, em vão teria sido a morte de Cristo.
É interessante o modo como o apóstolo concatena esse texto com determinadas observações importantes para nossa caminhada cristã. Ele deixa destacada aos nossos olhos, por exemplo, algumas impossibilidades ao ser humano em relação a Deus. Os versículos de 11-15, nos ensinam que é impossível ser cristão e ser ambíguo. Alguns pensam em Paulo criticando a cosmovisão de Pedro, mas a crítica de Paulo vai além, ele rechaça também sua atitude incoerente. Pedro se mostrou dúbio em sua prática! Já no versículo 16, o apóstolo demonstra a impossibilidade de ser cristão e acreditar na justificação pelas obras. A nossa salvação é uma questão de Graça, por meio da fé, e não de esforço próprio. No versículo 19, a grande impossibilidade apresentada pelo apóstolo Paulo é a de se tentar viver um cristianismo sem cruz. Significando que “mediante a própria lei”, estamos mortos para a lei. Logo, a lei não pode mais nos atingir, acusar, punir, uma vez que legalmente morremos para ela.
Mas o apóstolo nos presenteia com a conclusão de seu argumento. A ênfase de seu texto está na vida e não na morte! A Sagrada Escritura fala de vida, trata da vida, nos ensina o caminho da vida e nos desafia a uma nova vida. Tanto no versículo 19 quanto no versículo 20, Paulo nos direciona à vida. Num primeiro momento, somos mortos para viver uma nova modalidade de vida; no segundo momento essa nova modalidade de vida ganha também novos contornos. A vida que agora se vive na carne, é vivida pela fé no Filho de Deus. O que isso significa? Nossa morte com Cristo nos assegura a entrada em uma nova dimensão de vida. Vida unida com a vida de Cristo. Por meio desta união com Cristo não temos nossa identidade extinguida, pelo contrário, temos o caráter de Cristo impresso em nós pelo Espírito Santo. Não é o caso de perder, mas de ganhar, ganhar vida em abundância, por meio daquele “que me amou e a si mesmo se entregou por mim”!
O que nos acontece quando vivemos uma vida de verdadeira e intensa “união com Cristo”? Talvez você esteja se perguntando nesse momento e para o apóstolo a resposta também parece direta e objetiva, somos um cristão autêntico! Porque quem assim vive, vive diariamente pela fé. Vive cada dia como sendo “o dia que o Senhor nos deu”. Agradece por todas as situações, porque sabe “que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (…)”. Vive diariamente pela fé, porque “sem fé é impossível agradar a Deus”!

Rev. Glaucio Luciano dos Santos Oliveira

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