Alegria indizível e cheia de glória

“A quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória” (1Pe 1.8). O apóstolo Pedro está escrevendo aos crentes […]

“A quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória” (1Pe 1.8).

O apóstolo Pedro está escrevendo aos crentes da dispersão, espalhados por cinco diferentes províncias romanas. Esses irmãos eram eleitos de Deus. Estavam sendo santificados e nutridos por uma viva esperança. Mesmo sendo perseguidos e vivendo dispersos pelo mundo, privados de sua liberdade e de seus bens, aguardavam uma herança incorruptível nos céus. Mesmo sofrendo provações e passando por tristezas exultavam nas recompensas eternas. Sabiam que as provas não podiam destruí-los, mas como um fogo, apenas depurar sua fé. Esses crentes mesmo não tendo visto a Cristo face a face como o vira o apóstolo Pedro, amavam-no; mesmo não o vendo com os olhos físicos, nele exultavam com alegria indizível e cheia de glória. O que significa essa alegria indizível e cheia de glória? De onde ela procede? Como ela se manifesta? Qual é a sua força?

1. Essa alegria é a expressão da presença manifesta de Deus no meio do seu povo. Deus é onipresente, mas não está presente em todos os lugares com a sua presença manifesta. Onde a glória de Deus resplandece, os corações exultam com um gozo indescritível. Na presença de Deus há plenitude de alegria. Ele é melhor do que suas mais excelentes dádivas. Quando os crentes são impactados por essa presença gloriosa, então são invadidos por uma alegria que o mundo não conhece, não pode dar e nem tirar.

2. Essa alegria procede do céu e não da terra. Os destinatários desta epístola de Pedro estavam sendo provados. Foram perseguidos. Perderam seus bens. Foram privados de sua liberdade. Andavam dispersos. O mundo não lhes era um lar hospitaleiro. Por isso, andavam com os pés na terra, mas com o coração no céu. De lá procedia essa alegria ultracircunstancial e indescritível. Não podiam se alegrar em suas posses terrenas, porque essas lhes foram tiradas, mas alegravam-se numa herança gloriosa e incorruptível.

3. Essa alegria se manifesta mesmo nas mais duras provações. A alegria do cristão se manifesta mesmo nas noites mais escuras do sofrimento. Aqueles crentes viviam pelos antros da terra, sendo maltratados, injuriados, perseguidos, espoliados, porém, mesmo sendo co-participantes dos sofrimentos de Cristo, exultavam com uma alegria indizível e cheia de glória. Eles tinham por motivo de grande alegria o passarem por diversas provações. No coração deles não havia mágoa, mas amor; não havia tristeza, mas celebração; não havia pesar pelo que haviam perdido, mas exultação pelo que haveriam de receber.

4. Essa alegria possui uma força irresistível. Os cristãos colocaram o mundo de cabeça para baixo, pois quanto mais perseguidos eram, mais eles exultavam. Quanto mais eles tinham seus bens saqueados, mais eles se alegravam por sua herança eterna. Quanto mais eles eram difamados, mais eles abençoavam. Quanto mais eles eram jogados de um lado para outro, mais eles se apegavam à cidade cujo arquiteto e fundador é Deus. Quanto mais eles sangravam, mais fértil ficava o solo para a semeadura do evangelho. A igreja tornou-se irresistível. O evangelho avançou com poder incomparável. A alegria dos crentes no meio das mais duras provas, deixavam os homens perplexos. Os crentes eram pobres, mas possuíam tudo; eles nada tinham, mas enriqueciam a muitos. Eles foram arrancados e expulsos de suas casas, mas tinham uma pátria no céu. Os homens tiraram lágrimas de seus olhos, mas de seu coração jorrava, em catadupas, uma alegria indizível e cheia de glória!

Rev. Hernandes Dias Lopes

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