“Quem tem ouvidos [para ouvir], ouça.”

Assim o Senhor Jesus concluiu a parábola do semeador (Mt 13.9). Presente nos Sinóticos, a parábola tem como objetivo ensinar que todo aquele que ouve e acolhe a mensagem do […]

Assim o Senhor Jesus concluiu a parábola do semeador (Mt 13.9). Presente nos Sinóticos, a parábola tem como objetivo ensinar que todo aquele que ouve e acolhe a mensagem do evangelho produz frutos em abundância. Os versículos iniciais (Mt 13.1-3), nos informam que grandes multidões se reuniram para ouvir os ensinamentos do Mestre. Podemos inferir do texto que elas passaram muito tempo de pé, aglomeradas sem nenhum conforto e dispostas ao sacrifício, tudo para ouvir preciosos ensinamentos.

O Senhor Jesus nunca demonstrou preocupações de caráter populista, ele não estava preocupado com a quantidade de ouvintes durante suas exposições e nem se a sua fala agradaria aos ouvidos dos espectadores (Jo 6.60-67). Seu objetivo sempre foi ensinar a verdade e conclamar ao arrependimento, mostrando a necessidade vital da experiência do novo nascimento para todo aquele que almeja tornar-se seu discípulo (Jo 3.5).

Diante de tão grande público, valendo-se de uma prática comum em sua época (a semeadura), verdades eternas foram ensinadas com extrema simplicidade e objetividade, sem superficialidade por Aquele que com propriedade conhece os corações (Jo 2.23-25). A parábola é composta de semeador (Jesus, e por extensão legítima todo aquele que prega a palavra – Mt 13.37; 10.40), semente (a palavra de Deus – Lc 8.11) e solo (o coração do ouvinte – Mt 13.19-23). Atento para com o estado espiritual do seu público Jesus, por meio da parábola, ensina que ouvir a palavra não é tudo, ouvir e não obedecer, na verdade é absolutamente nada (Mt 7.26-27). Quatro tipos de ouvintes são apresentados na parábola. São eles:

1. O que possui um coração obscurecido: A semente que foi comida pelas aves, foi aquela que não conseguiu penetrar o solo endurecido pelo contínuo tráfego de pedestres e ausência do arado. Acena aponta para o ouvinte que não atenta para a urgência em obedecer à palavra, e então é impiedosamente atingido pela ação de Satanás que “arrebata” o que foi “semeado” (Mt 13.4,19).

2. O que possui um coração covarde: A semente que caiu em solo rochoso germinou com rapidez e logo a planta se desenvolveu, porém muito rápido pereceu. O segundo exemplo aponta para o ouvinte que empolgado com as verdades eternas pensa ser convertido e passa a imitar o comportamento de quem verdadeiramente é um regenerado, porém, diante de uma situação em que a fidelidade a Cristo signifique sofrimento, ele rapidamente deixa a máscara cair e revela sua verdadeira natureza (Mt 13.5-6, 20-21).

3. O que possui um coração secularizado: A semente que foi sufocada pelos espinhos representa aquele que despreza o evangelho em troca dos prazeres efêmeros que o mundo pode proporcionar. Tais ouvintes podem ser representados por Esaú, que trocou sua primogenitura por um prato de lentilhas (Hb 12.16). Não poucos trocam o Salvador pelas “trinta moedas de prata” que o mundo diariamente anda a oferecer.

4. O que possui um coração “arado” pela graça: A semente que foi lançada em boa terra, germinou, cresceu e frutificou, representa o ouvinte que, alcançado pelo evangelho, teve sua vida transformada e frutifica abundantemente para a glória de Deus (Mt 13.8,23). Ouvir, gostar e se emocionar com o evangelho não significa absolutamente nada se não houver frutos dignos de arrependimento (Mt 3.8).

Que tipo de ouvinte é você? Como pode ser classificado o seu coração? “Confessar exteriormente o cristianismo e servir-se formalmente das ordenanças jamais outorga a alguém uma boa esperança durante a vida, paz na hora da morte e descanso no mundo por vir. Precisa haver os frutos do espírito em nosso coração e em nossa vida; do contrário, o evangelho foi-nos pregado em vão.”

Rev. Jailto Lima do Nascimento

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