Maria-vai-com-as-outras?

O leitor atento do Novo Testamento percebe com facilidade o destaque que os autores dos evangelhos concederam à Maria Madalena. Seu nome é mencionado 12 vezes e, sua atuação nas mais diversas circunstâncias do ministério de Jesus recebe significativo relevo.

Não temos informações sobre sua família, infância ou juventude. Também não há registro de sua situação civil (solteira, casada ou viúva). O que podemos afirmar com toda segurança é que sua vida foi radicalmente transformada por Cristo Jesus.

Embora sendo uma mulher de muitas posses ela não era feliz, sua vida era marcada pela dor, humilhação, angústia e o mais completo desequilíbrio, pois era possuída, controlada e totalmente subjugada por sete demônios (Mc 16.9, Lc 8.2). Os diversos relatos apresentados nos evangelhos sobre pessoas possuídas por espíritos malignos demonstram claramente o intenso sofrimento por elas vivenciado (Mt 15.21-22, Mc 5.1-5, Lc 9.37-43).

Também não há qualquer indicação sobre quando, onde e em que circunstâncias se deu sua libertação do império das trevas, porém o registro de sua cura e total dedicação ao Senhor é explícito.

Maria Madalena (assim identificada por causa de sua cidade natal, Magdala, localizada na margem oeste do Mar da Galiléia, distante aproximadamente cinco quilômetros ao norte de Tiberíades), é um exemplo para todos nós e em especial para as mulheres, que na última sexta-feira (08/03) foram especialmente lembradas pelo transcurso do Dia Internacional da Mulher.

Uma mulher que foi agraciada com a salvação eterna, que teve sua vida transformada, que foi alvo da graça do Senhor Jesus não pode ocultar-se, viver no anonimato, esconder-se do mundo, habitar nas sombras. Sua missão está muito bem definida nas palavras do nosso Salvador conforme registradas no Evangelho de Mateus, capítulo 5, versículos 13 a 16. Entendendo corretamente sua nova condição, Maria Madalena legou-nos um exuberante exemplo do que significa ser nova criatura, fazer diferença em sua geração, deixar o passado para trás e ser bênção no reino de Deus.

Ela serviu fielmente a Cristo Jesus – Agora curada e sendo possuidora de muitos bens ela poderia ter elaborado uma agenda de atividades privilegiando festas, viagens, compras e muito lazer, para “recuperar” o tempo perdido. Contudo, a prioridade de sua vida foi acompanhar a Cristo pelas empoeiradas estradas da Galiléia e prestar todo o serviço necessário a ele e aos doze (Mc 15.41). Embora pudesse pagar para alguém fazer (como tem sido comum nos nossos dias a terceirização do serviço cristão) ela não abria mão do privilégio de servir no reino de Deus.

Ela ofertou generosamente parte de seus bens a Cristo Jesus – A obra de expansão do reino de Deus deve ser realizada com os recursos financeiros dos que foram salvos, transformados, restaurados, libertados por Jesus.

Maria e suas demais companheiras de equipe prestavam assistência também com os seus bens materiais (Lc 8.1-3), pois entendiam que poder contribuir é um imerecido privilégio. Ela não era avarenta e nem idólatra (Cl 3.5).

Ela amou intensamente a Cristo Jesus – A dedicação de Maria Madalena é resultado de sua gratidão pelo que Cristo realizou na sua vida. Ela acompanhou o Mestre em suas viagens, disponibilizou parte de seus bens para a obra missionária, presenciou Sua dolorosa morte na cruz (Jo 19.25), não teve medo de acompanhar Seu sepultamento (Mc 15.47), tomou providências para embalsamar Seu corpo (Mc 16.1) e de madrugada (no primeiro dia da semana) foi ao sepulcro (Jo 20.1). Ela, como tantos outros, não havia entendido a necessidade da ressurreição física de Jesus (Jo 20.9), por isso foi ao túmulo com os aromas, o que foi uma falha, porém nada que desqualifique seu grande amor por seu Salvador.

Na vida de Maria Madalena, o adágio popular Maria-vai-com-as-outras não tem nenhum sentido, pois ela foi líder, destemida, altruísta e fez história para glória de Deus. Um belo exemplo a ser seguido.

Rev. Jailto Lima do Nascimento

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