O quebrantamento do povo e a exaltação de Deus

Referência: Neemias 9.1-15 INTRODUÇÃO 1. Os grandes reavivamentos da história foram produzidos pela Palavra de Deus. Vimos no capítulo 8 de Neemias que o povo se reuniu para ouvir a […]

Referência: Neemias 9.1-15

INTRODUÇÃO

1. Os grandes reavivamentos da história foram produzidos pela Palavra de Deus. Vimos no capítulo 8 de Neemias que o povo se reuniu para ouvir a Palavra de Deus. A leitura, explicação e aplicação da Palavra trouxe choro pelo pecado e alegria de Deus na vida do povo.

2. Vimos também que a liderança reuniu-se para aprofundar-se no estudo da Palavra e o resultado foi a restauração da vida religiosa de Jerusalém.

3. Essas reuniões de estudo da Palavra aconteceram durante 24 quatro dias (8:1-3,8,13,18;9:1). Havia fome da Palavra e o estudo e obediência da Palavra trouxeram um poderoso reavivamento espiritual.

4. Não temos nenhum outro relato bíblico de um culto tão impressionante como esse, quando o povo pelo exemplo de seus líderes reúne-se durante um mês para estudar a Palavra e acertar a sua vida com Deus.

I. O QUEBRANTAMENTO DO POVO – v. 1-5

1. O quebrantamento passa pela contrição diante de Deus – v. 1

O povo caminhou da festa (8:13-18) para o jejum (9:1-3). O povo jejuou e cobriu-se com pano de saco. Esse é um símbolo de contrição, arrependimento e profundo quebrantamento. O povo reconheceu o seu pecado. Reavivamento começa com choro, com humilhação, com quebrantamento diante de Deus (2 Cr 7:14). Não podemos adorar o Rei da glória antes de contemplarmos a triste condição do nosso pecado.

Qual foi a última vez que você jejuou para se quebrantar diante de Deus? Qual foi a última vez que você jejuou por causa dos pecados do povo de Deus?

2. O quebrantamento passa por uma separação de tudo o que Deus condena – v. 2

Quebrantamento envolve obediência. O povo toma a decisão de deixar todos aqueles que não eram da linhagem de Israel para se consagrar ao Senhor.

Aqueles que não haviam se convertido ao Judaísmo não participavam dessa reunião. Eles não tinham a mesma fé e o mesmo Deus. Não há comunhão fora da verdade.

O problema aqui não é racial, mas teológico (10:28). Unir-se aos outros povos era transigir com a fé, era aceitar o sincretismo, era uma espécie de ecumenismo.

3. O quebrantamento passa pela confissão de pecado – v. 2

Quando somos iluminados pela verdade da Palavra, deixamos de nos justificar e então, reconhecemos nossos pecados e os pecados dos nossos pais. Confissão é o maior sinal do arrependimento (Pv 28:13).

A culpa é comunitária no tempo e no espaço (1:6; 9:2). A responsabilidade é coletiva. Não podemos nos isolar, somos uma família, um rebanho, um corpo, a noiva do Cordeiro.

Quando um membro sofre, todos se entristecem com ele. Quando um membro cai, os outros devem corrigi-lo com espírito de brandura.

4. O quebrantamento é produzido pela leitura da Palavra de Deus – v. 3

Quando a Palavra de Deus é lida, explicada e aplicada, então, os corações se derretem (8:8-10).

Precisamos resgatar a supremacia da Escritura e a primazia da pregação na igreja. O Evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo o que crê. Toda a Escritura é inspirada por Deus. Só há um evangelho. Precisamos expor essa Palavra com lágrimas, no poder do Espírito. A proclamação da Palavra produz mudança na vida do povo.

5. Só um povo que se levanta do quebrantamento pode exaltar a Deus de modo digno – v. 4-5

Só os que choram pelos seus pecados, podem se alegrar em Deus. Só os que se humilham diante de Deus, podem ser restaurados por Deus. Vemos a glória de Deus quando molhamos os nossos olhos nas lágrimas do arrependimento.

Os levitas têm uma visão gloriosa da transcendente majestade de Deus (v. 5b).

II. A EXALTAÇÃO DE DEUS

A teologia alcança suas alturas mais culminantes nas orações do povo de Deus. A mais profunda teologia de Paulo está nas suas orações. Esdras 9; Neemias 9, Daniel 9, são exemplos de gloriosos lampejos da teologia através da oração.

Como Deus é descrito nessa oração dos levitas? Eles contemplam a majestade de Deus, exaltam seu poder e descrevem seus gloriosos feitos.

1. Deus é o criador – v. 6

Quando a Bíblia afirma que Deus é o criador, ela está destruindo as bases do ateísmo, agnosticismo, panteísmo e deísmo.

A Bíblia está combatendo também a evolução deísta.

A Bíblia está combatendo a eternidade da matéria e a evolução da espécie. Cada espécie reproduz segundo a sua espécie. Existe mutação, mas não transmutação da espécie.

Deus criou o mundo físico e também o espiritual.

A evolução é uma teoria e não uma ciência.

Ilustração: Os embaixadores da Revolução Francesa e o camponês cristão.

2. Deus é o preservador – v. 6

“…e tu preservas a todos com vida”. Deus não só criou todas as coisas, mas sustenta toda a criação. Ele que faz a semente brotar. Ele é quem renova a face da terra (Sl 104:30; At 17:25,28).

Ele dá vida, saúde, alimento, proteção, paz.

Ele dá chuva e o sol. Ele não é como o relojoeiro que dá corda e vai embora. Ele está presente, ele atua na obra da criação.

Ele é o Deus que alimenta os pássaros, veste as flores, abastece as fontes, enche a terra da sua bondade. Dele vem o pão que está em nossa mesa, a saúde para saborearmos o pão, a força para trabalhar.

3. Deus é o Senhor – v. 6

Ele é o dono, proprietário absoluto de todas as coisas.

Ele é o soberano que está no trono e faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade.

Ele está sentado na sala de comando do universo e dirige as nações. Ele levanta reinos e abate reinos. Ele levanta reis e abate reis. Ele está no trono e o Cordeiro está com o livro da história nas mãos. A história está segura nas suas mãos (Ap 4,5).

4. Deus é aquele que elege os seus escolhidos – v. 7

A eleição divina é soberana.

A eleição divina é graciosa.

A eleição divina é livre.

A eleição divina é incondicional.

A eleição divina é Cristocêntrica.

A eleição divina é proposital: salvação pela santificação do Espírito.

Deus não nos elegeu porque previu que iríamos crer, nem porque éramos santos, ou praticávamos boas obras. Cremos porque ele nos elegeu. Fomos eleitos para as boas obras e não por causa delas.

5. Deus é aquele que chama eficazmente – v. 7

Deus não apenas elegeu Abrão, mas tirou-o de Ur dos Caldeus. Tirou-o da sua idolatria. Tirou-o dos seus ídolos. Deus mudou seu coração, seu caminho, sua vida, seu futuro, sua eternidade.

O chamado de Deus é irresistível. Há um chamado externo e um chamado interno. O chamado interno é eficaz. Todo aquele que é eleito, é chamado eficazmente (Rm 8:30).

As ovelhas de Cristo ouvem a sua voz. Deus abre o coração. A bondade de Deus conduz ao arrependimento e a fé é dom de Deus. Tudo provém de Deus.

6. Deus é aquele que transforma o pecador – v. 7

Deus mudou o nome de Abrão (grande pai), para Abraão (pai de uma grande nação). Abraão esperou 25 anos até Isaque nascer. Depois Deus mandou Abraão sacrificar Isaque. Abraão confiou que Deus poderia ressuscitar o seu filho. Deus então lhe prometeu uma descendência numerosa como as estrelas do céu. Nós os que cremos somos filhos de Abraão. Todos os remidos, em todos os lugares, em todos os tempos são filhos de Abraão (Rm 2:28-29: Gl 3:29; Fp 3:3).

Deus muda a nossa sorte, a nossa vida, o nosso coração. O poder não vem de dentro, mas do alto.

7. Deus é fiel para cumprir suas promessas – v. 8

Deus achou o coração de Abraão fiel e fez uma aliança com ele. Ele vela pela sua Palavra em a cumprir. Passa o céu e a terra, mas a sua Palavra não passará. Ele não é homem para mentir. Mesmo quando somos infiéis, ele permanece fiel, porque não pode negar a si mesmo.

Estamos numa relação pactual com Deus. Ele prometeu ser o nosso Deus e o Deus dos nossos filhos para sempre. Deus prometeu a Abraão e sua descendência bênçãos pessoais, nacionais e universais.

8. Deus é aquele que liberta o seu povo da aflição – v. 9

Deus vê e Deus ouve. Ele é o Deus presente. Ele se importa conosco. Ele viu a aflição do povo no Egito. Ele ouviu o seu clamor. Ele desceu. Ele libertou o povo com mão forte e poderosa.

A ênfase está nas ações de Deus em favor do seu povoescolhido: “viste, ouviste, fizeste, dividiste, lançaste, guiaste, desceste, falaste, deste, juraste”.

Deus ainda continua libertando. Ele ainda continua quebrando as cadeias e despedaçando os ferrolhos de ferro. Ele ainda continua abrindo as portas de bronze e trazendo o seu povo para um lugar espaçoso.

9. Deus é aquele que opera milagres para revelar o seu poder – v. 10-11

Deus não apenas tirou o seu povo do Egito, mas derrubou os deuses do Egito. Deus enviou dez pragas. Cada praga foi dirigida contra uma divindade no Egito. Deus estava revelando ao mundo que só ele é Deus.

Os milagres não são o Evangelho, mas podem abrir portas para ele. O nome de Deus foi exaltado através dos milagres operados no Egito.

Quando o povo ficou encurralado, cercado por todos os lados, Deus abriu um caminho no meio do mar. Ele continua abrindo caminhos na tormenta.

10. Deus é aquele que guia o seu povo com sua presença – v. 12

Tanto a coluna de fogo como a coluna de nuvem eram símbolos da presença de Deus com o seu povo. A presença de Deus protege, aquece, refrigera e orienta.

A coluna de fogo os aquecia no frio do deserto e lhes alumiava o caminho.

A coluna de nuvem refrescava-lhe o calor do deserto e lhes dava refrigério nas caminhadas do dia.

O Senhor está conosco sempre. Sua presença é o nosso alento para a caminhada da vida até entrarmos na terra prometida.

11. Deus é aquele que fala ao seu povo através da sua Palavra – v. 13-14

Deus fala do céu e Deus desce. Com letras de fogo na pedra, o dedo de Deus escreveu as tábuas da Lei. Deus deu juízos retos, leis verdadeiras, estatutos e mandamentos bons.

Deus fala pela Palavra. Ele trouxe sua Palavra a Moisés. Esdras e os levitas estão lendo essa Palavra ao povo. Hoje a maior necessidade da igreja é da Palavra de Deus. Deus continua falando ao seu povo pela sua Palavra.

Não devemos buscar outras vozes, subjetividades, profecias forâneas às Escrituras, mas devemos buscar a Palavra de Deus.

12. Deus é aquele que provê sustento para o seu povo – v. 15

Cerca de 2 milhões de pessoas perambulam pelo deserto, com suas crianças, animais, velhos. A roupa não envelheceu no corpo. A sandália não envelheceu no pé. Da rocha brotou água. Do céu caiu maná (Sl 105:40; 78:24) e codornizes. Deus sustentou seu povo com abundante provisão.

Precisamos confiar no provedor mais do que na provisão.

Deus provê as bênçãos temporárias e dá graciosamente a terra prometida (v. 15b).

CONCLUSÃO

É tempo da igreja reunir-se sob a Palavra de Deus para renovar sua aliança com o Senhor. Precisamos ter esse senso da glória de Deus em nossos cultos, arrependimento, confissão, adoração e percepção clara quem é Deus e o que ele faz.

Precisamos olhar para o passado e ver as lições da história: pois o mesmo Deus que fez, faz e fará maravilhas na vida do seu povo.

Rev. Hernandes Dias Lopes