Interdependência ou morte

Não, não estou repetindo o editorial do último dia 09 (segundo-domingo). Naquela oportunidade o tema foi outro: “Independência é Morte”.

No texto anterior, abordei o drama vivenciado por nossos primeiros pais (Adão e Eva – extensivo à sua posteridade) em decorrência da ação deliberada de proclamarem independência de seu amoroso Criador. Agora, meu objetivo é abordar as danosas consequências do isolamento, da ação facciosa, da segregação, do estímulo ao separatismo no relacionamento humano. O ser humano em virtude de sua natureza corrompida pelo pecado sente prazer em criar separação, ruptura, grupos, “panelinhas”. Mesmo entre os regenerados, com tristeza constatamos a presença do “vírus” que promove separação, facção e grupinhos.

Escrevendo aos cristãos da cidade de Corinto, o apóstolo Paulo inspirado pelo Espírito Santo, com veemência apela à unidade. Diz ele: “Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer. Pois a vosso respeito, meus irmãos, fui informado, pelos da casa de Cloe, de que há contendas entre vós. Refiro-me ao fato de cada um de vós dizer: Eu sou de Paulo, e eu, de Apolo, e eu, de Cefas, e eu, de Cristo. Acaso, Cristo está dividido? Foi Paulo crucificado em favor de vós ou fostes, porventura, batizados em nome de Paulo?” (1 Co 1.10-13).

Na comunidade cristã onde a unidade e a interdependência não se constituem em valores inegociáveis o desenvolvimento saudável está comprometido. Há quem pense que não precisa de seu irmão, há quem pense que só precisa de alguns irmãos, porém o ensino bíblico é que precisamos de todos, sem exceção, sem segregação. Somos todos cidadãos de uma mesma pátria (Fl 3.20), fazemos todos parte de um só corpo (Rm 12.5), fomos todos chamados numa só esperança (Ef 4.4), exerce sábio e amoroso governo sobre todos nós um só Senhor (Ef 4.5).

Quem afirma amar a Igreja e negligencia a sua unidade, está mentindo. Quem promove rupturas no corpo do Senhor, está pecando. Quem realmente aspira ao crescimento integral (qualitativo e quantitativo) de sua comunidade, esforça-se “diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz”.

Na extraordinária oração sacerdotal, o Senhor Jesus rogou ao Pai uma bênção especial sobre os seus: “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17.20-21). Fomos chamados por Deus para a unidade, mútua cooperação, vida em família. “Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se caírem, um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só; pois, caindo, não haverá quem o levante.”

Resista à tentação de viver isolado. Resista à tentação de conviver somente com alguns. Aqui, todos são importantes. É verdade que somos muitos membros, porém um só corpo.

Rev. Jailto Lima do Nascimento

One thought on “Interdependência ou morte

  • 27 de setembro de 2012 em 12:46
    Permalink

    Amado irmão, reconheço a verdade de que todos nós em Cristo devemos viver na singela unidade do Espírito Santo. Mas, infelizmente por causa da preferência de alguns em viver na velha natureza, se conformando com a aparência de piedade, não é possível a unidade pelo Espírito desta forma. Pois, o Espírito Santo não atua no meio da falsidade religiosa, mas, sim, onde ouver sinceridade. Não creio que a permanência na desobediência ao Senhor seja indicação de sinceridade. Não sou a favor da separação, mas, se tal união estiver comprometendo o verdadeiro testemunho do Evangelho, o Senhor nos dá base para nos separarmos. Leia: 1ªCor.6.6-11; 2ªTim.3.1-5.

    Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *