Solo Christus

A Reforma Protestante foi um retorno às Escrituras e consequentemente, um retorno à centralidade de Cristo, pois ele é o centro das Escrituras. O Antigo Testamento aponta para ele; o […]

A Reforma Protestante foi um retorno às Escrituras e consequentemente, um retorno à centralidade de Cristo, pois ele é o centro das Escrituras. O Antigo Testamento aponta para ele; o Novo Testamento descreve sua pessoa e sua obra. Cristo é o centro da eternidade, pois nele convergem todas as coisas tanto as do céu como as da terra. Ele é o centro da história, pois só ele pode dar significado a ela e levá-la a uma consumação. Ele é o centro da igreja, pois é o seu fundamento, dono, edificador e protetor. Cristo é o agente da criação, o sustentador do universo, o redentor o seu povo, o Senhor diante de quem todo joelho se dobra no céu, na terra e debaixo da terra. Destacaremos aqui quatro pontos importantes:

1. Cristo é o único Mediador entre Deus e os homens. A igreja da Idade Média havia criado um panteão de intercessores. Maria e os santos canonizados eram abertamente invocados como aqueles que deveriam interceder por nós junto a Deus. Ainda hoje há uma máxima na igreja romana: “Pede à Mãe, que o Filho atende”. Esses ensinamentos estão em flagrante oposição ao que a palavra de Deus ensina. A Bíblia é enfática: “Porquanto há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1Tm 2.5). O próprio Jesus foi claro: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6). Jesus não é um Mediador entre outros; ele é o único Mediador. Ele não é um dos muitos caminhos para o céu; ele é o único Caminho. Jesus é a porta e ninguém poderá chegar a Deus, exceto por meio dele!

2. Cristo é o único Salvador dado por Deus aos homens. O homem não pode salvar a si mesmo por meio de suas obras. A igreja não pode salvar o homem por meio de seus rituais. A ideia de que o batismo pode regenerar o homem é um ledo engano. A ideia de que podemos ser salvos pela penitência é um rotundo erro. A salvação é obra de Deus, oferecida aos pecadores, pela graça, mediante a fé em Cristo. Não há nenhum outro nome dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos, exceto o nome de Jesus (At 4.12). Só ele salva (At 16.31). Só nele temos vida eterna (Jo 6.47). Não cooperamos com Deus em nossa salvação, pois tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo, por intermédio de Jesus (2Co 5.18).

3. Cristo é o único cabeça e Senhor da igreja. A ideia de que o papa é a pedra fundamental e o cabeça da igreja é um consumado do erro. A igreja só tem um fundamento: este é Jesus (1Co 3.11). A igreja só tem um cabeça: este é Jesus (Ef 1.22). A igreja só tem um dono: este é Jesus (Mt 16.18). A igreja só tem um Senhor: este é Jesus (Fp 2.9-11). Jesus morreu para comprar com o sangue aqueles que procedem de toda tribo, língua, povo e nação (Ap 5.9).

4. Cristo é o único Sumo Sacerdote que está no céu intercedendo pela igreja. A ideia de que o papa é o Sumo Pontífice, ou seja, o supremo mediador entre Deus e os homens não tem qualquer amparo nas Escrituras. Cristo é o nosso grande Sumo Sacerdote. Ele é grande porque morreu pelos nossos pecados segundo as Escrituras e ressuscitou segundo as Escrituras para a nossa justificação (1Co 15.3; Rm 4.25). Ele penetrou os céus (Hb 4.14) e está à direita de Deus, intercedendo por nós (Rm 8.34). Por essa razão, ele pode salvar-nos totalmente (Hb 7.25). Porque Jesus foi o sacrifício perfeito e o Sacerdote supremo, nossos pecados foram julgados nele. Com base em seu sacrifício substitutivo, fomos declarados justos diante do tribunal de Deus. Estamos quites com sua lei e com sua justiça. Não pesa mais nenhuma condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus, nosso Senhor (Rm 8.1). Oh, quão grande Redentor temos em Cristo. Permanece tremulando a bandeira da Reforma: Solus Christus!

Rev. Hernandes Dias Lopes