Os pilares da pregação expositiva

A pregação fiel da Palavra de Deus é a maior necessidade do mundo e a grande tarefa da igreja. Fomos chamados à fé pela pregação. Alimentamos o povo de Deus pela pregação. A igreja é fortalecida pela pregação. A pregação fiel é uma das marcas da igreja verdadeira. Quais são os pilares da pregação expositiva?

Em primeiro lugar, ler o texto bíblico. O texto bíblico é a principal parte do sermão, isto porque é dele que emana a pregação. O sermão só é sermão se o que o pregador diz procede do texto. O pregador não é chamado para pregar suas próprias ideias, mas para pregar a Palavra de Deus. O pregador que lê o texto desatenta e atabalhoadamente demonstra que não conhece o texto nem se preparou para expor o texto. O pregador precisa ter intimidade com o texto, ler o texto com vivacidade e demonstrar santa reverência na leitura, a ponto de levar seus ouvintes a temerem e tremerem diante da Palavra. O pregador ganha ou perde a atenção do seu auditório a partir da leitura do texto.

Em segundo lugar, explicar o texto bíblico. Pregação é a explicação da Palavra de Deus. Há pregadores que leem o texto, vão embora do texto e nunca mais voltam ao texto. Outros preparam o sermão e depois procuram uma passagem bíblica para encaixar o sermão. É óbvio que essa prática está em completo desacordo com a fiel exposição das Escrituras. O pregador precisa abrir o texto e explicar aos seus ouvintes o que o texto significa. O pregador precisa fazer uma exegese do texto, para tirar do texto o que está no texto em vez de impor ao texto os seus próprios pressupostos. Vale destacar que Deus não tem nenhum compromisso com as palavras do pregador. Deus tem compromisso com a sua Palavra. Se o pregador, com zelo e fidelidade expor a Palavra, essas palavras são as próprias palavras de Deus. O Senhor governa sua igreja pela Palavra. Ele alimenta suas ovelhas com a Palavra. A igreja é edificada, consolada e fortalecida pela Palavra. Pela Palavra Deus chama o pecador ao arrependimento. Pela Palavra Deus restaura a alma dos aflitos, anima os abatidos e cura aqueles cujo coração está quebrantado. Pela Palavra, Deus inquieta os acomodados e acomoda os inquietos.

Em terceiro lugar, aplicar o texto bíblico. O sermão é uma ponte entre dois mundos. Faz conexão entre o texto antigo e o ouvinte contemporâneo. Sem aplicação não tem pregação. O sermão não é um discurso diante do auditório, mas uma palavra atingidora aos ouvintes. Cada ouvinte precisa compreender que Deus está falando com ele. O pregador precisa ter senso de urgência na sua voz. Como disse Richard Baxter, “o pregador precisa pregar como se estivesse morrendo, para ouvintes que estão prestes a morrer”. É importante ressaltar que a aplicação é resultado direto da explicação do texto. Quem não interpreta corretamente o texto, fará aplicações heréticas do texto, pois prometerá em nome de Deus o que ele não está prometendo ou proibirá em nome de Deus o que ele não está proibindo. Oh, como precisamos ser obreiros aprovados que manejam bem a Palavra da verdade! Como precisamos nos afadigar na Palavra, a fim de dar ao povo o trigo da verdade, em vez de enfastiá-lo com a palha das tradições humanas!

Estou certo de que a pregação é a maior necessidade da igreja e a maior necessidade do mundo. Uma igreja pode existir sem templo ou mesmo sem recursos financeiros, mas jamais sem a fiel pregação da Palavra de Deus. Os tempos áureos da igreja foram aqueles em que a pregação bíblica esteve em alta. Os dias mais sombrios da igreja foram aqueles em que a pregação fiel escasseou nos púlpitos. Precisamos urgentemente de um poderoso reavivamento nos púlpitos. Martyn Lloyd-Jones disse com razão, “pregação é lógica em fogo, que emana de um homem que está em chamas”. John Wesley era enfático com seus alunos: “Ponha fogo no seu sermão ou ponha o seu sermão no fogo”. Que Deus nos ajude a ler, a explicar e a aplicar a Palavra!

Rev. Hernandes Dias Lopes

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