UM CLAMOR POR AVIVAMENTO 

“Porventura, não tornarás a vivificar-nos, para que em ti se regozije o teu povo?” (Sl 85.6).

O Salmo 85 foi escrito pelos filhos de Coré. O progenitor desses porteiros do templo rebelou-se contra Moisés e  sofreu morte súbita, mas seus filhos viveram para servir a Deus, na Casa de Deus. Os filhos não levam os pecados dos  pais. Neste poema sublime, o salmista olha para trás para contemplar os atos misericordiosos de Deus (85.1-3), olha para  o presente para pedir avivamento a Deus (85.4-7) e olha para o futuro para escutar a palavra de Deus (85.8-13).  No versículo em apreço, quatro verdades devem ser destacadas: 

  1. O avivamento é uma obra de Deus em seu povo. Avivamento é uma nova vivificação. É voltar ao primeiro  amor. É retornar ao caminho que havia sido abandonado. É deleitar-se na Palavra novamente. É voltar a ter prazer na  oração. É desfrutar, como outrora, da intimidade de Deus. É ficar entusiasmado com o privilégio de reunir-se com o povo  de Deus para adorar aquele que é digno. Avivamento não é inovação, é volta. Não é buscar novidades no mercado da fé,  mas retornar à essência do evangelho puro e simples. Avivamento não é sede de bênçãos, mas sede do abençoador.  Avivamento não é um evento produzido pelo homem, mas uma mudança de Deus operada no homem. Avivamento é dar  vida ao que estava amortecido; é dar vitalidade ao que estava enfraquecido; é remover as cinzas, assoprar as brasas e  reacender a chama do fervor espiritual.  
  2. O avivamento é uma obra exclusiva de Deus. O salmista não se lança num ativismo religioso buscando agradar  a Deus com seu esforço. É Deus quem vivifica o seu povo. Avivamento é obra exclusiva de Deus. Não emerge da terra,  procede do céu. Não é obra humana, mas ação divina. Só Deus pode soprar sobre seu povo o alento de vida. Só ele pode  restaurar a sorte do seu povo como as torrentes do Neguebe. Avivamento fabricado na terra traz fogo estranho ao altar.  Avivamento agendado pelo homem não passa de arremedo, de uma grotesca falsificação da ação genuína do Espírito  Santo. Avivamento não é obra da igreja, mas uma intervenção exclusiva de Deus na igreja, para tirar o seu povo do  marasmo, para uma exuberante vida de poder e testemunho.  
  3. O avivamento é uma obra extraordinária de Deus. O avivamento não é apenas uma obra divina, mas é,  também, uma obra extraordinária. Deus transforma um vale de ossos secos num exército poderoso. Arranca seu povo dos  vales da morte para as alturas excelsas de uma vida plena. Vivifica o seu povo para que este conheça sua intimidade e seu  poder. Quando Deus vivifica o seu povo, um novo amor às Escrituras é experimentado, um novo compromisso com a  oração é firmado e uma nova dinâmica missionária é estabelecida pela igreja. Uma igreja vivificada por Deus, cheia do  Espírito Santo, tem um novo relacionamento com Deus e com os homens. O avivamento traz um novo frescor à igreja,  promove uma alegria indizível e cheia de glória. Reveste a igreja da suprema grandeza do poder de Deus. Onde o Espírito  Santo desperta a igreja há comunhão, adoração, gratidão e espírito de serviço.  
  4. O avivamento é uma obra repetida de Deus. O avivamento é uma obra exclusiva de Deus que pode ser  experimentada várias vezes. O salmista está orando para Deus vivificar novamente o seu povo. Está pedindo para Deus  fazer de novo o que já havia feito no passado. Se não podemos agendar o avivamento, podemos preparar o caminho do  Senhor para que ele se manifeste. Podemos orar e nos humilhar debaixo da mão onipotente de Deus, rogando a ele para  que o melhor daquilo que já temos experimentado, seja mínimo daquilo que ele pode fazer em nós e através de nós daqui  para a frente. Oh, que Deus nos visite com o seu poder e vivifique novamente a sua igreja! Ele mesmo é a nossa alegria.  Ele mesmo é a nossa paz. Ele mesmo é a nossa maior recompensa. Ele é tudo para nós! 

Rev. Hernandes Dias Lopes

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